‘Mulheres do Café’ muda a realidade da cafeicultura

Produção é vendida a quatro estados e exportada para Austrália e Japão; valor chega a três vezes mais que o café comum

CRÉDITO: Lucas Aleixo

“O café especial é um resultado que requer mais do que investimento financeiro. É, principalmente, a mudança de atitude. E mudança acontece mais rápido quando há a participação das mulheres”. A avaliação é da coordenadora do projeto Mulheres do Café e extensionista da Emater, Cíntia Mara Lopes de Souza, feita durante a programação da Feira Internacional de Cafés Especiais do Norte Pioneiro do Paraná (Ficafé), que acontece nesta semana, em Jacarezinho.

O Norte Pioneiro paranaense registra 250 produtoras em 11 municípios, que resultam no faturamento de R$ 10 milhões anuais – levando em consideração que apenas parte da produção é comercializada como café especial.

O projeto Mulheres do Café busca melhorar a qualidade do produto, agregar renda às famílias e valorizar o trabalho feminino. Com a inclusão de novas técnicas e formas de gestão, os cafés especiais produzidos na região conquistaram prêmios e registram aceitação do mercado.

“Quando o café é comprovadamente feminino ele tem mais valor do que um café especial que não tenha a participação das mulheres na produção. Hoje as produtoras deixaram de comercializar o café na região, vendendo a produção especial para os estados do Sul e São Paulo, além do Japão e Austrália”, pontua Cíntia.

De acordo com a produtora Rosana de Azevedo Felet, do município de Carlópolis, a produção melhorou a partir de 2013, quando as técnicas tradicionais que a família aplicava na lavoura de café foram substituídas pela produção de grãos especiais. “Aprendemos muitas técnicas novas, aprimoramos bastante o que a gente fazia, com mais tecnologia também. Com isso tivemos duas vendas muito boas para o Japão e agora a meta é fazer do nosso sítio, modelo de produção de café”, conta.

Discurso similar tem Laura Freitas, do município de Tomazina, que está no projeto desde 2015. “Hoje em dia vender o café comum está cada vez mais difícil. O café especial nos dá mais trabalho, mas também melhora a renda. Estou otimista para o mercado que encontraremos nos próximos anos. Quero conseguir melhorar cada vez mais a qualidade e aumentar a produção”, projeta a produtora, que já exportou sua produção para a Austrália.

Representatividade 

A importância do ‘Mulheres do Café’ e da participação feminina na produção em si é tão grande que o segundo dia da Ficafé 2019 tem parte considerável da programação direcionada às mulheres, com workshops e outras atividades específicas que visam aprimorar conhecimentos e estimular mais mulheres no projeto que tem ajudado a melhorar a vida de centenas de famílias.

Odemir Capello, consultor do Sebrae/PR, recorda que a produção de cafés especiais no norte pioneiro teve início após a compreensão de que o mercado já era abastecido de commodities e que para se diferenciar e ampliar a relevância nacional, os produtores locais precisavam se diferenciar.

Ficafé

A Ficafé 2019 é uma realização do Sebrae/PR, Associação dos Cafés Especiais do Norte Pioneiro do Paraná (Acenpp), Cooperativa de Cafés Especiais do Norte Pioneiro do Paraná (Cocenpp), Indicação de Procedência do Norte Pioneiro do Paraná, com apoio da Prefeitura de Jacarezinho, Governo do Paraná, Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab), Instituto Federal do Paraná (IFPR – campus Jacarezinho), Sistema Faep (Senar, Faep e Sindicato Rural), Iapar, IAP, Associação dos Engenheiros e Agrônomos do Norte Pioneiro (AEANP), Adapar, Associação dos Municípios Norte Pioneiro (Amunorpi), Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp), CREA-PR, Emater, Cooperativa Integrada, Fecomércio PR, Sesc, Senac e Museu do Café.

A participação é gratuita. A programação e as atividades podem ser conferidas pelo site www.ficafe.com.br.