IFPR de Jacarezinho inicia demissões após corte de verbas

Medida do governo federal provoca impactos negativos na instituição, que vê seu funcionamento ameaçado

Do ano passado para este a redução de verbas é de 36% CRÉDITO: Antônio de Picolli

O IFPR (Instituto Federal do Paraná) campus de Jacarezinho iniciou as demissões consequentes do contingenciamento (corte) de verbas realizado pelo governo federal que afetou a área da educação. Em primeiro momento são cinco pessoas de serviços terceirizados que já cumprem aviso prévio. Se a situação não mudar até o mês que vem, haverá novas demissões.

No primeiro momento foram desligados funcionários da portaria, segurança e limpeza. Como esse pessoal ainda cumpre aviso prévio, a falta deles só será sentida na volta às aulas, no segundo semestre, assinala o diretor Rodolfo Fiorucci.

Segundo ele, não existe possibilidade de remanejamento de outras pessoas para cumprir essas funções. “Vamos simplesmente ficar sem. Sem o porteiro, não haverá ninguém na portaria. Simples assim. Não temos o que fazer. Sem orçamento não tem como realizar contratações”, lamenta o diretor do campus.

Para se ter ideia do tamanho do problema, hoje o IFPR conta com 17 funcionários terceirizados (incluindo os cinco que já foram desligados) para fazer os serviços de segurança, limpeza e manutenção. Como o governo federal não sinalizou para uma mudança no contingenciamento de verbas da educação, a previsão é que outras três ou quatro pessoas também sejam desligadas no próximo mês, o que representaria um corte de mais da metade do pessoal desses setores.

“A gente lamenta muito. Em sua maioria são pessoas humildes que precisam desses empregos e que infelizmente estão ficando sem trabalho. E além do lado humano, tem a questão da precarização dos serviços. Vamos ficar com oito ou nove pessoas para fazer um trabalho que precisaria de no mínimo 17. Vai sobrecarregar quem ficar e prejudicar por completo esses serviços de segurança, limpeza e manutenção”, complementa Rodolfo.

Outro ponto seriamente comprometido é a compra de materiais de expediente. “Estamos usando o que temos em estoque, mas não temos condições de comprar mais materiais para expediente, para limpeza, para laboratório, enfim, para tudo. A hora que nosso estoque acabar, ficaremos sem nada”, reclama o diretor.

Atuação comprometida

Ainda de acordo com Rodolfo Fiorucci, todo o funcionamento do campus ficará seriamente comprometido caso a redução das verbas não seja revista. “Temos aí quase 40% de redução com relação ao ano passado. Mas já são três anos de reduções seguidas no nosso orçamento. Somos uma instituição de inclusão, mas estamos perdendo essa capacidade porque os cortes já afetam a assistência estudantil e vão afetar nossa estrutura.

Vamos deixar de ser uma instituição diferenciada porque a estrutura vai ficando precária com tantos cortes. Ainda somos a escola com melhor nota no Enem de Jacarezinho, mas já temos uma queda na avaliação que é a consequência dessa falta de recursos”.

Do ano passado para este a redução de verbas é de 36%. Mas o caso é mais grave pela sequência de redução dos repasses vindos do governo federal. Em 2013, o orçamento anual do IFPR em Jacarezinho era R$ 1,6 milhão, enquanto que em 2015 foi de R$ 1,9 milhão.

Levando em consideração reajustes e inflação, o orçamento para 2019 deveria estar próximo a R$ 2,5 milhões. Mas a realidade é completamente diferente. Sem o corte, o orçamento para 2019 era de R$ 1,7 milhão, mas com o contingenciamento de recursos os valores a serem recebidos neste ano estão na casa de R$ 1,1 milhão.

O IFPR de Jacarezinho tem aproximadamente 700 alunos entre cursos técnicos, superior e pós-graduação, sendo reconhecida pelo MEC como uma das melhores instituições de ensino do país.